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domingo, 31 de março de 2013

Poesia e arte


Segunda canção para os dedos
Tua mão na minha
é salto qualitativo
infinitamente maior
que o abraçar de corpos
amanhã
no instante racional
em que decidirmos o assunto.

Tudo começou
no toque dos dedos
na penumbra
sob o fundo musical
dos teus olhos brilhando,
quando tudo era fácil
de deixar de ser.

Agora
vem a confiança
e a audácia
a excessiva confiança
em que os lugares comuns mais grosseiros
afastarão os olhos,
as confidências
e os dedos.

No intervalo
terá havido amor-consulta
e amor-certeza, gravidez e enjoo,
livro de gênesis
sem o espírito das águas,
mas tudo acabará
no apocalipse
dos dedos afastados
e perdidos,
na datilografia perfeita
e sem borracha
do amor desfeito

Há um ritmo de lembrança
na tristeza emigrante
dos dedos que se afastam.

José Leão de Carvalho

domingo, 13 de maio de 2012

Artesanato e poesia, tudo de bom


 Peças da coleção de inverno Estilo&arte (www.estiloearte.elo7.com.br) 

Linha do tempo
        Maria Helena Mota Santos

Não teço
cada dia
com linhas quebradas
pelo tempo
Em cada amanhecer
pego outra linha
e bordo
novo momento





Às vezes
de cores pálidas
Às vezes
de cores firmes
Eu valorizo
cada  cor
A cor alegre
e a cor triste


 Às vezes
teço pelo avesso
com as mãos trêmulas
de frio
Às vezes
tenho pouca linha
mas encaro
o desafio  
                                                              
 Às vezes
penso que teço
um caminho 
que escolhi
Mas percebo
que havia esboço
do bordado
que teci

 Às vezes
fico perplexa
meus bordados
não reconheço
Mas não deixo
um só dia
Sem tentar
um recomeço

 Teço
desde que acordo
e só paro
quando adormeço
Mas em sonho
sou intuída
e pra novo dia
eu amanheço

sábado, 18 de junho de 2011

Poesia em noite de sábado

Este sábado a noite é pura poesia e eu, como não sou poeta,
busco inspiração em Affonso Romano de Sant'Anna que em sua Definição diz


O corpo é onde
é carne:

o corpo é onde

há carne

e o sangue

é alarme.

O corpo é onde

é chama:

o corpo é onde

há chama

e a brasa

inflama.
O corpo é onde

é luta:

o corpo é onde

há luta

e o sangue

exulta.

O corpo é onde

é cal:

o corpo é onde

há cal

e a dor

é sal.

O corpo

é onde

e a vida

é quando.






segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Ando devagar porque já tive pressa...


"Tudo e todos parecem correr a velocidade da luz.
Eu quero a lentidão de um passeio na praia ao final da tarde,
vendo o sol se por devagarinho,
Quero o sossego e a mansidão dos campos ao cair da noite.
Não desejo segurar o tempo, quero apenas degustá-lo com todos os seus cheiros e sabores".