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sábado, 27 de março de 2010

Amar como se não houvesse amanhã


“É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã” (parabéns Renato Russo, o que se faz de bom é imortal)
Mas voltando a frase, é preciso não apenas amar, mas viver, como se não houvesse amanhã, porque o amanhã só existe na nossa imaginação, na nossa fantasia. O que temos é o hoje, o agora então porque desperdiçá-lo com ódios, com intrigas, com violências, com misérias.
Eu me surpreendo muito com o ser humano. Aliás, eu me surpreendo até comigo mesma, pois todos sabemos que somos finitos, e mesmo assim perdemos tanto tempo com bobagens, encenando demais, porém amando de menos, adquirindo bens mas reduzindo valores.
“Aprendemos a sobreviver, mas não a viver; adicionamos anos à nossa vida e não vida aos nossos anos. Fomos e voltamos à Lua, mas temos dificuldade em cruzar a rua e encontrar um novo vizinho. Conquistamos o espaço, mas não o nosso próprio.” (trecho de um texto que recebi de autoria desconhecida)
É isso, acho que até eu preciso pensar mais nessas coisas e não só pensar, mas agir amando as pessoas e a mim mesma como se não houvesse amanhã.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

A voz do silêncio


Hoje vou postar aqui um texto de uma cronista e poeta que admiro muito: Marta Medeiros

Quantas coisas são ditas na quietude,
depois de uma discussão.
O perdão não vem, nem um beijo,
nem uma gargalhada
para acabar com o clima de tensão.
Só ele permanece imutável,
o silêncio, a ante-sala do fim.
É mil vezes preferível uma voz que diga coisas
que a gente não quer ouvir,
pois ao menos as palavras que são ditas
indicam uma tentativa de entendimento.
Cordas vocais em funcionamento
articulam argumentos,
expõem suas queixas, jogam limpo.
Já o silêncio arquiteta planos
que não são compartilhados.
Quando nada é dito, nada fica combinado.
Quantas vezes, numa discussão histérica,
ouvimos um dos dois gritar:
"Diz alguma coisa, mas não fica
aí parado me olhando!"
É o silêncio de um, mandando más notícias
para o desespero do outro.
É claro que há muitas situações
em que o silêncio é bem-vindo.
Para um cara que trabalha
com uma britadeira na rua,
o silêncio é um bálsamo.
Para a professora de uma creche,
o silêncio é um presente.
Para os seguranças de um show de rock,
o silêncio é um sonho.
Mesmo no amor,
quando a relação é sólida e madura,
o silêncio a dois não incomoda,
pois é o silêncio da paz.
O único silêncio que perturba,
é aquele que fala.
E fala alto.
É quando ninguém bate à nossa porta,
não há emails na caixa de entrada
não há recados na secretária eletrônica
e mesmo assim, você entende a mensagem.