sábado, 26 de janeiro de 2013

Um brinde a vida


Um brinde

Um brinde aos que escolheram renovar-se,
porque venceram os temores herdados
e as ilusões mercadejadas.
Um brinde aos que ainda hesitam,
porque o seu ceticismo é legítimo,
ainda que recheado de ontem;
a qualquer momento podem tomar a estrada,
se o amanhã lhes tocar o desejo.

Um brinde aos que transitaram para o desafio
e não estacionaram na preocupação,
nem no olhar recebido, nem na obediência,
nem no mais sensato Assim-É.

Um brinde aos que maximizaram o objetivo,
porque não se contentaram com as vitrinas,
nem com a modéstia que não ofende,
nem com a guerra no espelho.

Um brinde aos que ordenham o olhar
na prospecção dos fatos,
porque fazem nova gemada
com os ovos (da galinha) de Colombo;
e aos aromistas do diagnóstico,
porque são estes que sintetizam o cristal
e o reinvento.

Um brinde aos que abrem as portas
à ingenuidade, à surpresa e à insubmissão,
porque germinam novas sementes
perante as verdades embalsamadas.

Um brinde aos avaliadores
que não desperdiçam as nozes de Nietzsche
nem atendem às vozes dos conselheiros,
porque concedem saber
à novidade da criança
e acrescentam oportunidade ao espanto.

Um brinde aos que não se consolam na fórmula,
mas cuidam da nova criança,
porque assim dão músculos ao pensar
e tornam confiante o descobridor.

Um brinde às caminhadas,
porque, além dos achados,
reativaram os músculos
e mostraram que vale mover-se.

Um brinde aos que chegaram
e aos que nunca fugiram,
aos que aprenderam
e aos que não ancoraram
na bahia-limbo do conforto.

Um brinde aos que esqueceram as lições
e as ladainhas,
porque agora estão livres
para produzir surpresas no pensar
e riquezas no agir.

Um brinde aos que semeiam,
ainda quando perdem a semente;
aos da meia noite
e aos da nova manhã,
porque para todos há música
e vinho do Reno com gosto de pitomba.

Por maior que seja a pressa,
preveja no mapa o lugar da sombra
para comemorar não apenas o que foi,
mas principalmente o desejo consistente;
e neste quiosque da festa íntima
dimensione a nova estrada dos dias,
escute a música dos desafios
e acrescente o seu próprio brinde
ao ainda não pensado.

(texto de José Leão de Carvalho)



segunda-feira, 31 de dezembro de 2012


 "O homem nasce para atingir a vida, mas tudo depende dele. Ele pode perdê-la. Ele pode seguir respirando, ele pode seguir comendo, ele pode seguir envelhecendo, ele pode seguir se movendo em direção ao túmulo - mas isso não é vida." Osho - in A arte de viver

sábado, 8 de dezembro de 2012

Maxi colares de renda: show de estilo

Eu sou o que penso mas também o que faço.
   
     

Nadices

Brinco com a razão
não tenho idade nem sexo 
o real é invenção 
já foi e continua sendo 
nada. 
Não perco o senso
sou o que penso.

(Ieda Estergilda de Abreu)
  

domingo, 14 de outubro de 2012

Arte com estilo




    Meu trabalho de artesanato fica ainda mais bonito com a companhia desse texto da Lya Luft, escritora que admiro demais.

"Apesar de todos os medos, escolho a ousadia. 
Apesar dos ferros, construo a dura liberdade.
Prefiro a loucura à realidade, e um par de asas tortas aos limites da comprovação e da segurança. Eu, sou assim. Pelo menos assim quero fazer: a que explode o ponto e arqueia a linha, e traça o contorno que ela mesma há de romper. A máscara do Arlequim não serve apenas para o proteger quando espreita a vida, mas concede-lhe o espaço de a reinventar.
Desculpem, mas preciso lhes dizer: 
EU quero o delírio." (Lya Luft)

Peças disponíveis na loja virtual:www.estiloearte.elo7.com.br

sábado, 1 de setembro de 2012

Primavera com Estilo&arte

  Minhas cores


 Se eu não sei 
as minhas cores
As cores do mundo
se confundem
com os matizes
do meu eu

Sou da cor
que me pintaram
quando pra aqui
me embarcaram
pra cumprir
uma missão

Sou da cor
da esperança
da alegria
e da constância
Sou da cor
do coração

Se eu não sei 

as minhas cores
As cores do outro
se confundem
com os matizes
do meu eu

Sou da cor
que me pintaram
Pra combinar
com o cenário
da possível
atuação

Sou da cor
que pulsa em mim
Cor alegre
Cor vibrante
Sou da cor
do meu jardim 
 
 ( Maria Helena Mota Santos )


   Com o belo poema da Maria Helena apresento  algumas peças da nova coleção de acessórios  Estilo&arte para a primavera/verão 2013. Elas estarão disponíveis em minha loja virtual www.estiloearte.elo7.com.br


quinta-feira, 19 de julho de 2012

Artesanato e poesia



     Hoje, para acompanhar meu artesanato,  escolhi um poema lindíssimo da poetisa Mônica Montone, e que tem tudo a ver comigo

Mulher de minutos

Não sou mulher de minutos
Daquelas que os segundos varrem para debaixo do tapete sujo
Não pinto os cabelos de fogo
Nem faço tatuagem no umbigo
Me recuso a usar corpetes e cinta-liga


Há sementes em meu ventre
São poemas que ainda não reguei
Prefiro guardá-los em silêncio
Até que o tempo amadureça meus minutos
E a vida me contemple com seus frutos
Não borro meus cílios com a solidão da noite
Nem pinto meu rosto com a palidez das manhãs 
Meu corpo é feito de marés
Onde navegam mil anseios 
Veleiros sem direção
Estou sempre na contramão

Mônica Montone

terça-feira, 5 de junho de 2012

domingo, 13 de maio de 2012

Artesanato e poesia, tudo de bom


 Peças da coleção de inverno Estilo&arte (www.estiloearte.elo7.com.br) 

Linha do tempo
        Maria Helena Mota Santos

Não teço
cada dia
com linhas quebradas
pelo tempo
Em cada amanhecer
pego outra linha
e bordo
novo momento





Às vezes
de cores pálidas
Às vezes
de cores firmes
Eu valorizo
cada  cor
A cor alegre
e a cor triste


 Às vezes
teço pelo avesso
com as mãos trêmulas
de frio
Às vezes
tenho pouca linha
mas encaro
o desafio  
                                                              
 Às vezes
penso que teço
um caminho 
que escolhi
Mas percebo
que havia esboço
do bordado
que teci

 Às vezes
fico perplexa
meus bordados
não reconheço
Mas não deixo
um só dia
Sem tentar
um recomeço

 Teço
desde que acordo
e só paro
quando adormeço
Mas em sonho
sou intuída
e pra novo dia
eu amanheço