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sábado, 1 de setembro de 2012

Primavera com Estilo&arte

  Minhas cores


 Se eu não sei 
as minhas cores
As cores do mundo
se confundem
com os matizes
do meu eu

Sou da cor
que me pintaram
quando pra aqui
me embarcaram
pra cumprir
uma missão

Sou da cor
da esperança
da alegria
e da constância
Sou da cor
do coração

Se eu não sei 

as minhas cores
As cores do outro
se confundem
com os matizes
do meu eu

Sou da cor
que me pintaram
Pra combinar
com o cenário
da possível
atuação

Sou da cor
que pulsa em mim
Cor alegre
Cor vibrante
Sou da cor
do meu jardim 
 
 ( Maria Helena Mota Santos )


   Com o belo poema da Maria Helena apresento  algumas peças da nova coleção de acessórios  Estilo&arte para a primavera/verão 2013. Elas estarão disponíveis em minha loja virtual www.estiloearte.elo7.com.br . 


quinta-feira, 19 de julho de 2012

Artesanato e poesia



     Hoje, para acompanhar meu artesanato,  escolhi um poema lindíssimo da poetisa Mônica Montone, e que tem tudo a ver comigo

Mulher de minutos

Não sou mulher de minutos
Daquelas que os segundos varrem para debaixo do tapete sujo
Não pinto os cabelos de fogo
Nem faço tatuagem no umbigo
Me recuso a usar corpetes e cinta-liga


Há sementes em meu ventre
São poemas que ainda não reguei
Prefiro guardá-los em silêncio
Até que o tempo amadureça meus minutos
E a vida me contemple com seus frutos
Não borro meus cílios com a solidão da noite
Nem pinto meu rosto com a palidez das manhãs 
Meu corpo é feito de marés
Onde navegam mil anseios 
Veleiros sem direção
Estou sempre na contramão

Mônica Montone

domingo, 13 de maio de 2012

Artesanato e poesia, tudo de bom


 Peças da coleção de inverno Estilo&arte (www.estiloearte.elo7.com.br) 

Linha do tempo
        Maria Helena Mota Santos

Não teço
cada dia
com linhas quebradas
pelo tempo
Em cada amanhecer
pego outra linha
e bordo
novo momento





Às vezes
de cores pálidas
Às vezes
de cores firmes
Eu valorizo
cada  cor
A cor alegre
e a cor triste


 Às vezes
teço pelo avesso
com as mãos trêmulas
de frio
Às vezes
tenho pouca linha
mas encaro
o desafio  
                                                              
 Às vezes
penso que teço
um caminho 
que escolhi
Mas percebo
que havia esboço
do bordado
que teci

 Às vezes
fico perplexa
meus bordados
não reconheço
Mas não deixo
um só dia
Sem tentar
um recomeço

 Teço
desde que acordo
e só paro
quando adormeço
Mas em sonho
sou intuída
e pra novo dia
eu amanheço

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Tecendo poesia


Teço como se estivesse escrevendo poesia.

Ponto por ponto,

palavra por palavra

nasce o texto.

Vida inscrita em cada peça.










Manuseio

Maria Esther Maciel - In Triz

Tépidas
essas mãos
que divagam devagar
por meus relevos
óbvios
e demoram fundo no obscuro
ponto
onde o corpo
se abisma
e silencia,
absurdo.

domingo, 26 de junho de 2011

Frio, chuva e arte


Neste domingo de neve na serra em Santa Catarina, de chuva, frio e fuga em Florianópolis, eu não tive coragem de chegar nem na varanda, preferi o aconchego da sala.

A fuga foi de presos que estavam no centro de triagem da Penitenciaria do Estado. Agora são mais de 70 presos que estão novamente nas ruas para o que “der e vier”. Espero que a Polícia Militar nos proteja (ai meu Deus! E dá pra confiar?). Melhor deixar isso pra lá e prestar atenção nas lindas imagens da neve. É bom vê-la caindo mansinha. Eu prefiro olhá-la bem de longe, de preferência enrolada num cobertor macio e quentinho, com um livro de poesias ao alcance da mão...


OPUS VI

Ouço trovões como tubas
alardeando a chuva
Ouço glicínias
glissando
no terraço

e a natureza assente
ao drama de si mesma.

Ouço o silêncio do mundo.

Maria José Giglio
Para Violino Solo (1996-1997)

Mas o domingo foi também de criatividade. Nas fotos uma amostra do trabalho que rendeu.

sábado, 18 de junho de 2011

Poesia em noite de sábado

Este sábado a noite é pura poesia e eu, como não sou poeta,
busco inspiração em Affonso Romano de Sant'Anna que em sua Definição diz


O corpo é onde
é carne:

o corpo é onde

há carne

e o sangue

é alarme.

O corpo é onde

é chama:

o corpo é onde

há chama

e a brasa

inflama.
O corpo é onde

é luta:

o corpo é onde

há luta

e o sangue

exulta.

O corpo é onde

é cal:

o corpo é onde

há cal

e a dor

é sal.

O corpo

é onde

e a vida

é quando.






domingo, 29 de maio de 2011

Artesanato e Poesia, boa combinação


Mostrar meu trabalho combinando-o com poesia torna-o muito mais bonito e agradável. Escolhi essa poema da Silvana Duboc porque me identifico muito com ele, há muitos "Eus' em mim, deguste-os.


Várias de mim

Silvana Duboc

Sou assim
Duas de mim
Às vezes três
Quatro... cinco... seis
Sou uma por mês
Me diversifico
Tem horas que grito
Vivo num conflito
Mostro ao mundo minha dor
Outras horas, só sei falar de amor
A mais romântica
Melodramática
Estática
Chorosa e nervosa
Carente e decadente Vingativa e inconseqüente
Aí quando menos me percebo
Me transformo em mulher cheia de medo
Cheia de reservas
Coberta de sutilezas
Séria e sem defesa
No minuto seguinte
No papel de mulher fatal
Viro logo a tal
Aí sou dona do mundo
Segura e destemida
Altiva e atrevida
Rasgo meus segredos ao meio
E exponho num roteiro
De poesia ou texto
Agrido, inflamo Conto o que ninguém tem coragem de contar
Explico detalhes que é bom nem lembrar Sou assim
Várias de mim
Sorriso por fora Angústia toda hora
Por dentro um tormento
No rosto nenhum sofrimento
No corpo uma explosão de prazer Nos olhos, meu desejo deixo perceber
Melhor nem me conhecer
Fique com minhas letras
Com as minhas palavras
Na vida real sou bem mais complicada
Sou mil
E quem tentou, descobriu
Que viver ao meu lado
É viver dentro de um campo minado
Prestes a explodir
Mas quem esteve nele
Nunca quis fugir

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Chuva e poesia


Que janeiro molhado esse! É água pra todo lado, levando tudo, deixando rastros de desespero. Preciso de uma pausa. Vou buscar o sol e o sonho na poesia de Mário Quintana.

"Se as coisas são inatingíveis... ora!

Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos se não fora
A mágica presença das estrelas!
(Das Utopias, Mário Quintana)

Os Poemas

Os poemas são pássaros que chegamnão se sabe de onde e pousam no livro que lês.Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso nem porto;
alimentam-se um instante em cada
par de mãos e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti... (
Mario Quintana - Esconderijos do Tempo)

Pequeno esclarecimento

Os poetas não são azuis nem nada, como pensam alguns supersticiosos, nem sujeitos a ataques súbitos de levitação. O de que eles mais gostam é estar em silêncio - um silêncio que subjaz a quaisquer escapes motorísticos e declamatórios. Um silêncio... Este impoluível silêncio em que escrevo e em que tu me lês.

Mário Quintana - A vaca e o hipogrifo

sábado, 1 de janeiro de 2011

Mulheres amigas

Nesse 1º dia de 2011, quando as mulheres estiveram tão em evidência devido a posse da primeira mulher na Presidência do Brasil, eu aproveito para apresentar meu mais novo trabalho de pintura: um painel em óleo sobre tela – “Bailado para o amanhecer”.
E como homenagem a todas nós mulheres reproduzo um poema que recebi numa mensagem onde não consta o autor, apenas o tradutor.

Mulheres Amigas Tradução: J. Pomilio/09

O tempo passa.
A vida voa.
As distâncias separam.
Os filhos crescem.
Os trabalhos vão e vem


A paixão diminui.
Os homens nem sempre são
o que se supunha serem.
O coração se parte
Nossos pais morrem.
Os amigos esquecem os favores recebidos.
As carreiras ou profissões chegam ao fim.
POREM...
As amigas estarão sempre aí,
não importa quanto tempo tenha passado
e ou quanta distância física exista.
Uma amiga nunca estará demasiado longe
para chegar quando dela necessitares.
Quando devas caminhar por um vale solitário
e tenha que fazer por você mesma,
AS MULHERES AMIGAS DA TUA VIDA,
estarão ao redor do vale,
orando por ti, animando, empurrando, intervindo
e esperando-te com os braços abertos no final do caminho.
Algumas vezes, inclusive romperão as regras,
caminharão a teu lado, ou até chegam a te levar carregada.
Amigas, filhas, avós, cunhadas, irmãs, noras, mâes, netas, tias, primas, sobrinhas
todas são uma benção de DEUS na vida!
O mundo não seria o mesmo sem
MULHERES AMIGAS.
Quando nos embrenhamos nesta aventura de ser MULHER,
não temos ideia das incríveis satisfações e das dolorosas provas que nos esperam.
Tampouco sabemos quanto necessitaremos umas das outras.
Cada dia, seguiremos necessitando-nos mais.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

A vida floresce, é Natal!

Olhar o mundo e agradecer o milagre da vida, esse é o espírito que eu desejo a todos nesse Natal

"Eu estou pensando em você hoje porque é Natal, e eu lhe desejo felicidade.
E amanhã, porque será o dia seguinte ao Natal,
Eu ainda lhe desejarei felicidade.
Eu posso não ser capaz de lhe falar sobre isto diariamente,
Porque eu posso estar ausente, ou nós podemos estar muito ocupados.
Mas isso não faz diferença
- Meus pensamentos e meus desejos estarão com você da mesma forma.
Qualquer alegria ou sucesso que você tenha, me fará feliz. Me iluminará por todo ano.
Eu desejo à você o Espírito do Natal"
. (Van Dike)

sábado, 10 de julho de 2010

Artesanato, poesia e...saudade


    Voltei. A falta de tempo tem me deixado um pouco longe do computador mas a saudade me traz de volta. Hoje participei, como expositora, de minha primeira Feira de Artesanato, no centro de Florianópolis. Foi ótimo conversar com as pessoas, mostrar meu trabalho, gostei e vou repetir a dose (as fotos que ilustram esse post são trabalhos meus). Mas estou me preparando mesmo para uma grande Festa/Feira que vai acontecer aqui mais para o final do ano. Quando tudo estiver definido eu conto.
   Mas porque hoje é sábado e porque falei em saudade... “Estou com saudade de mim. Ando pouco recolhida, atendendo demais ao telefone, escrevo depressa, vivo depressa. Onde está eu?
Preciso fazer um retiro espiritual e encontrar-me enfim - enfim, mas que medo - de mim mesma."
(
Clarice Lispector) 
 E tem esse poema do Pablo Neruda que acho tão bonito:

Saudade é solidão acompanhada,
 
é quando o amor ainda não foi embora,
 
mas o amado já...
 
Saudade é amar um passado que ainda não passou,
 
é recusar um presente que nos machuca,
 
é não ver o futuro que nos convida...
Saudade é sentir que existe o que não existe mais...
 
Saudade é o inferno dos que perderam,
 
é a dor dos que ficaram para trás,
 
é o gosto de morte na boca dos que continuam...
 
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
 
aquela que nunca amou.
 
E esse é o maior dos sofrimentos:
 
não ter por quem sentir saudades,
 
passar pela vida e não viver.
 
O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.

domingo, 13 de junho de 2010

Arte e poesia

  Hoje acerco-me de duas grandes divas da poesia brasileira para acompanhar meu mais recente trabalho de pintura, o óleo sobre tela "Corpo em flor"
Lua Adversa
"Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha

Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
 
(tenho fases, como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...(
Cecilia Meireles)

E com Clarice Lispector digo:


 "Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes… tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:
- E daí? Eu adoro voar!
Não me dêem fórmulas certas, por que eu não espero acertar sempre. Não me mostrem o que esperam de mim, por que vou seguir meu coração. Não me façam ser quem não sou. Não me convidem a ser igual, por que sinceramente sou diferente. Não sei amar pela metade. Não sei viver de mentira. Não sei voar de pés no chão. Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre"
-
 Clarice Lispector

sábado, 27 de março de 2010

Amar como se não houvesse amanhã


“É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã” (parabéns Renato Russo, o que se faz de bom é imortal)
Mas voltando a frase, é preciso não apenas amar, mas viver, como se não houvesse amanhã, porque o amanhã só existe na nossa imaginação, na nossa fantasia. O que temos é o hoje, o agora então porque desperdiçá-lo com ódios, com intrigas, com violências, com misérias.
Eu me surpreendo muito com o ser humano. Aliás, eu me surpreendo até comigo mesma, pois todos sabemos que somos finitos, e mesmo assim perdemos tanto tempo com bobagens, encenando demais, porém amando de menos, adquirindo bens mas reduzindo valores.
“Aprendemos a sobreviver, mas não a viver; adicionamos anos à nossa vida e não vida aos nossos anos. Fomos e voltamos à Lua, mas temos dificuldade em cruzar a rua e encontrar um novo vizinho. Conquistamos o espaço, mas não o nosso próprio.” (trecho de um texto que recebi de autoria desconhecida)
É isso, acho que até eu preciso pensar mais nessas coisas e não só pensar, mas agir amando as pessoas e a mim mesma como se não houvesse amanhã.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

A voz do silêncio


Hoje vou postar aqui um texto de uma cronista e poeta que admiro muito: Marta Medeiros

Quantas coisas são ditas na quietude,
depois de uma discussão.
O perdão não vem, nem um beijo,
nem uma gargalhada
para acabar com o clima de tensão.
Só ele permanece imutável,
o silêncio, a ante-sala do fim.
É mil vezes preferível uma voz que diga coisas
que a gente não quer ouvir,
pois ao menos as palavras que são ditas
indicam uma tentativa de entendimento.
Cordas vocais em funcionamento
articulam argumentos,
expõem suas queixas, jogam limpo.
Já o silêncio arquiteta planos
que não são compartilhados.
Quando nada é dito, nada fica combinado.
Quantas vezes, numa discussão histérica,
ouvimos um dos dois gritar:
"Diz alguma coisa, mas não fica
aí parado me olhando!"
É o silêncio de um, mandando más notícias
para o desespero do outro.
É claro que há muitas situações
em que o silêncio é bem-vindo.
Para um cara que trabalha
com uma britadeira na rua,
o silêncio é um bálsamo.
Para a professora de uma creche,
o silêncio é um presente.
Para os seguranças de um show de rock,
o silêncio é um sonho.
Mesmo no amor,
quando a relação é sólida e madura,
o silêncio a dois não incomoda,
pois é o silêncio da paz.
O único silêncio que perturba,
é aquele que fala.
E fala alto.
É quando ninguém bate à nossa porta,
não há emails na caixa de entrada
não há recados na secretária eletrônica
e mesmo assim, você entende a mensagem.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Ando devagar porque já tive pressa...


"Tudo e todos parecem correr a velocidade da luz.
Eu quero a lentidão de um passeio na praia ao final da tarde,
vendo o sol se por devagarinho,
Quero o sossego e a mansidão dos campos ao cair da noite.
Não desejo segurar o tempo, quero apenas degustá-lo com todos os seus cheiros e sabores".